ESTUDO BIBLICO
Eclesiastes O PREGADOR
INTRODUÇÃO
Vaidade por vaidade tudo é vaidade diz o PREGADOR, Vaidade em vaidade tudo é vaidade!
Com essa sentença o PREGADOR, inicia, sua exposição Filosófica, a respeito da vida humana ... ” Debaixo do Sol” ...O PREGADOR em sua exposição preocupa-se em mostrar, aos seus leitores qual a real finalidade, da existência humana
O PREGADOR surge em sua época como uma luz raiando em plenas trevas, pois ilumina a mente de seus ouvintes, para que ampliem seus horizontes a respeito da existência humana. É como que o PREGADOR visse seus contemporâneos presos como que, em jaulas em suas existências desprovidas de real essência que da sentido a vida.
PREGADOR fala dessa existência vazia e sem sentido, não como alguém que aprende em uma sala de aula, mas como alguém que dela já experimentou. E agora como um atalaia busca sua voz para que contemporâneos dela fujam e dêem um real sentido em suas vidas, ou seja temendo a Deus Ec.12:13.
O interesse do PREGADOR em seu discurso é mostrar para seus ouvintes que a existência humana não esta na sua sabedoria Ec.1:12-18; não esta nos prazeres que o mundo possa proporcionar Ec.2:1-3 ; não esta na arte ou na agricultura Ec.2:4-6; e muito menos nas grandes possessões Ec.2:7-11 ; pois nessa época havia a terrível tendência, de fazer dessas coisas o fim em si mesma, ou seja, o que da sentido a existência humana.
Quando olhamos para a mensagem do PREGADOR, percebemos que ele leva seus ouvintes para beco sem saída, esvaziando o homem de tudo aquilo “Que da sentido a sua existência levando-o a um estado de perplexidade e sem nenhuma perspectiva de esperança para algo que de sentido a sua existência”. Mas é exatamente nesse estado que o PREGADOR tenciona levar seus ouvintes, nesse estado de esvaziamento, do materialismo, para que possa mostrar que a razão da existência humana, esta em Deus criador de todas as coisas Ec.12.
O livro de Eclesiastes propõe mostrar-nos, que tudo que fazemos neste mundo sem colocarmos Deus, no seu devido lugar em nossa vida, todo o nosso empreendimento e esforço torna-se sem sentido de ser. Torna-se uma grande vaidade.
I -) TITULO:
Para melhor entendermos a mensagem de Eclesiastes, necessitamos entender o Titulo que é dado para o livro.
O titulo hebraico deste livro é Qôhelet , que significa, “o oficio do PREGADOR,” este vocábulo deriva da raiz Qãnal, que significa “convocar uma assembléia,” ou “Dirigir a palavra a uma Assembléia”.
O termo Eclesiastes, é derivado de Ekklêsia, que significa assembléia.
Diante do significado do termo podemos inferir que o PREGADOR passava a sua mensagem, conclamando o povo para uma assembléia para que todos pudessem ouvir a sua mensagem. E levar os seus ouvintes a uma reflexão profunda da cosmo visão * , que o povo tinha a respeito do significado da existência humana, este tópico estaremos vendo mais adiante.
O objetivo do PREGADOR era atingir o máximo de pessoas possível, e isso era conseguido através das assembléias, onde se reunir um grande números de pessoas para ouvir o Pregador com sua mensagem.
II -) TEMA: UMA INVESTIGAÇÃO SOBRE A VIDA.
Este tema fica claro aos nossos olhos, quando lemos Ec. 1:13 , que diz:
Apliquei o meu coração a esquadrinhar, e a informar-me com sabedoria de tudo o que acontece debaixo do céu...
Quando focalizamos o tema do livro, fica fácil entendermos a linguagem do livro, que é escrito sob a pena de um observador, que trata das questões abordadas de maneira clara e objetiva. Ainda que ele crie nos seus leitores uma sensação de desespero mesclado com desilusão, pois é essa a sensação que sentimos quando o PREGADOR mostra a inutilidade final da sabedoria. Ec. 1:12-18 , pois nos apegamos a nossa sabedoria para reger a nossa vida, e num certo sentido esperamos que ela de significado a nossa existência efêmera * nessa terra.
Diante dessa negativa do PREGADOR a respeito da sabedoria, ficamos perplexos e indagamos o que dará razão a existência humana, como já foi dito na introdução é exatamente assim que o PREGADOR tencionava que nós fiquemos nesse estado de perplexidade, para que ele possa continuar mostrando que não é somente a sabedoria que é vaidade a parte de Deus, mas que os prazeres e a riqueza que esse mundo possa nos dar, também se torna em inutilidade e ainda nos torna mais insatisfeito com essa vida. Ec. 2:1-11.
O PREGADOR lida com grandes paradoxos * que evitamos lidar, no nosso dia-a-dia, pois ele mostra a inutilidade que há no esforço humano debaixo do sol. Ec. 6:1-6; 4:13-16; 1:1-3.
E nós estamos acostumados a pensarmos que o nosso esforço será sempre útil a nós ou a alguém, mas o PREGADOR nos mostra que não podemos fazer, do esforço humano um fim em si mesmo, ou seja, fazer do esforço humano razão da Existência Humana .
O PREGADOR como observador, ele enxerga o surgimento de uma religião materialista, onde o homem procura dar razão a sua existência, se afastando perigosamente do seu criador Ec. 6:10-12, ao estudarmos o livro de Eclesiastes, percebemos que o PREGADOR, mostra a posição do homem para ele mesmo (Um ser limitado) , e mostra sua posição diante de Deus (Um ser dependente de Deus) . O PREGADOR mostra a visão correta para que o homem seja bem sucedido na vida.
III -) AUTORIA E DATA:
A autoria do livro de Eclesiastes é reputada a Salomão, e isso é indicado no próprio texto de Eclesiastes. Quando o PREGADOR faz alusão a sua pessoa quando diz que; sobre:
1 -) Sua sabedoria incomparável (1:16)
2 -) Suas riquezas sem igual ( 2:8)
3 -) Sua grande possessão de inúmeros servos (2:7)
4 -) Suas oportunidades para o prazer carnal (2:3)
5 -) Suas atividades no campo da construção civil ( )
Por essas evidências internas a autoria de Salomão é comprovadas e pelas tradições judaicas e cristã, também confirmam a autoria de Salomão, foi contestada por vários teólogos conservadores e também liberais, que contestam a autoria de Salomão pelas seguintes razões:
1 -) O cenário histórico não parece ser como da época de Salomão.
2 -) O nome Salomão não aparece no livro, como é o caso de Provérbios e Cantares.
3 -) A linguagem em que o livro foi escrito, se assemelha com uma linguagem pós- exílio.
Essa tendência de alguns teólogos, negarem a autoria Salomônica, fica mais fácil de entender quando estudarmos a data em que foi composta o livro de Eclesiastes, pois alguns críticos modernos datam essa autoria, após o exílio israelita, isso e por volta do V século, para chegarem a tal data levaram em conta a estrutura lingüistica em que foi composto Eclesiastes.
Para dar apoio a essa data alguns Teólogos,* como Franz Delitzch, alistou em sua investigação lingüistica do livro de Eclesiastes, 96 palavras, formas e expressões que só se acham nas obras exílicas ou pós exílicas , (Esdras, Neemias, Crônicas), são expressões que segundo Delitzch, não é encontrado em nenhum outro escrito ao Antigo Testamento, a não ser os que já foram citados. E os livros de Daniel, Ester e o próprio Talmude. Pois a língua falada na época do exílio era o aramaíco, a língua falada e escrita, nessa época, pelos judeus, mas esta data para composição do livro de Eclesiastes é refutada, pelas seguintes razões:
1 -) A data aceita nos círculos Judaicos e Cristão é o século X, para a sua composição.
2 -) Se acharmos do ponto de vista lingüistico, o livro de Eclesiaste não se assemelha a nenhum dos outros livros bíblicos, pois tem uma linguagem peculiar que é encontrada somente nele.
3 -) se compararmos o texto de Eclesiastes com documentos do século V e X, vamos perceber que Eclesiastes se enquadra dentro do séc. X e não em uma data mais recuada como o séc. V.
4 -) O livro de Eclesiastes foi escrito dentro do seu gênero literário, que era escrita de sabedoria. E dentro desse gênero havia uma forma literária de escrever que diferia das demais escrituras da época, assim como a poesia tinha sua forma de escrita, assim como os códigos legais tinha sua forma peculiar de escrita, que foi também convencionada na literatura Hebraica.
É de conhecimento geral que cada gênero da nossa arte, tem seu estilo de expressar suas idéias, para seu público.
O livro de Eclesiastes como já foi dito tem uma linguagem particular, que não se encontra nas outras escrituras, nem por isso devemos reportar o livro ao séc. V, por exemplo se pegarmos uma obra qualquer escrita no séc. XX, como por exemplo livros de História Geral, em que o autor narra sua história como se ele vivesse naquele período, diríamos então que essa obra ou o autor não pertenceria ao séc. XX, por causa da sua pecualidade de detalhes literários.
Como já foi exposto a autoria do livro de Eclesiastes, é do próprio Salomão escrito dentro do séc. X, e não uma data recua como já foi exposto.
Para entendermos mais ainda essa peculiaridade literária, vamos observar o cenário político da época de Salomão, o reinado de Salomão foi um reinado de paz e prosperidade, pois seu pai Davi antes de passar o trono a Salomão já havia estabelecido o seu domínio em Israel. Com isso restou a Salomão apenas consolidar esse reinado diante das nações e para isso acontecer Salomão estabeleceu alianças com varias nações, por meio de casamentos em acordes políticos Irs 11:1 .
A fama de Salomão corria por todas as nações, fazendo com que vários Reis fossem atraídos pela sabedoria de Salomão, onde possibilitava acordos políticos entre si .
E os vários projetos arquitetônicos de Salomão possibilitou vários contatos com várias nações em busca de matéria-prima para suas obras serem realizadas. * Com esse desenvolvimento político do reinado de Salomão, possibilitou o intercâmbio cultural com essas nações, envolvendo a arte, a literatura Tc...
E na composição de Eclesiastes Salomão usou esses recursos literários vindo de outras culturas para expressar sua visão filosófica da existência humana.
Fica claro então que autoria é datada no séc. X, por se enquadrar com o cenário histórico de Salomão, e não o séc. V como querem alguns.
IV -) PROPÓSITO DO LIVRO DE ECLESIASTES:
Para intendermos melhor o propósito da mensagem de Eclesiastes, precisamos fazer uma analise do termo que é usado ao longo do livro que é, Vaidade, logo no início do livro esse termo já é empregado para expressar a sua mensagem.
No Antigo Testamento são usados dois vocábulos para vaidade, Hebhel e Shâw.
Hebhel significa vazio, oco, este termo é usado no Antigo Testamento, para mostrar a inutilidade do esforço humano, e denota também a inutilidade dos ídolos e sua adoração. Sl. 39: 5-6; Jr. 10:15;51:18; Ism. 15:23; Sl. 24:4; Is. 41:29; Dt. 32:21; Irs. 16:13, 26.
Este termo mostra o vazio que há em buscar tais ídolos para saciar sua, sede espiritual, é algo destituído de força ou propósito ou coisa “vão” que denota o mesmo sentido do termo Hebhel At. 14:15; Jr. 2:5; 10:3.
A segunda palavra usada é Shãw , que também significa vazio, mas esse termo assumiu a conotação de indecoro, sordidez, e esta mais relacionado com o comportamento do homem diante de Deus Jó 31:5; Sl. 12:2; 41:6; Ez. 13: 6-8; 21:29; Sl. 10:7.
Mas esse vocábulo denota mais a idéia de iniquidade humana como foi, verificado nos textos acima.
Esse dois vocábulos expressam o sentido de algo vazio, oco, inútil, e é essa idéia que é passada quando nós lemos textos em que Deus reputa as nações como narra Is. 40:17, 23.
Vejamos ainda no Novo testamento este vocábulo ocorre apenas três vezes, o termo grego para vaidade Mataiotes usado na septuaginta.
O primeiro uso do termo esta em 4:17, que diz:
Portanto, digo isto, e testifico no Senhor para que não andeis mais como andam os outros Gentios, na vaidade do seu pensamento.
Neste versículo o apostolo Paulo mostra que o Saber Humano a parte de Deus , torna-se algo vazio, destituído de força e propósito, são como nas palavras do apostolo filosofias vãs. Cl. 2:8.
A segunda ocorrência do termo encontramos em Pe. 2:18. Que diz :
Pois proferem palavras arrogantes de vaidade, e nas concupiscência da carne engodam com dissoluções aqueles que estavam prestes a fugir dos que andam no erro.
Neste caso o apostolo Pedro esta escrevendo para os dispersos, que estavam espalhados pela Ásia Menor , alertando-os contra os falsos mestres que estavam promovendo suas falsas doutrinas entre os cristão, neste caso o apostolo mostra para seus contemporâneos, que são palavras destituídas de verdades, portanto vazias de verdades e conteúdo.
A terceira ocorrência é em Rm. 8:20. Que diz:
Pois a criação ficou sujeita a vaidade, não por sua vontade, mas por causa daquele que a sujeitou...
Neste texto Paulo retrata a condição em que ficou a criação, por conta do pecado humano, e neste texto esta envolvida a idéia de fragilidade em que o homem é a criação ficou sujeita, agindo com insensatez em suas atitudes Rm. 1:20.
Mas de todos esses termos podemos definir vaidade como:
Alguém que leva sua vida sem considerar a Deus como a razão da existência humana, ou seja, viver sem Deus, e esse estilo de vida nos torna vazios e sem forma diante de Deus.
Essa compreensão do termo é necessário por dois motivos, primeiro para determinarmos o propósito da mensagem no livro de Eclesiastes, e para esclarecermos uma Interpretação Igrejeana, que diz que vaidade é o uso de certas roupas, uso de jóias, e o uso do recurso estético para embelezamento do corpo.
A palavra de Deus foi nos dada não para cuidar de questões, tão pequenas como estas, mas foi nos dada para atender nossas necessidades espirituais do ponto de vista soteriológico * . Rm. 10:17; J. 6:63; Fp 2:16; Tg. 1:18; Jo 8:51.
Quando a igreja interpreta essa palavra nesse sentido, em sentido de usos e costumes, a igreja encore nos mesmos erros dos Escribas e Farizeus, que elevavam suas tradições a um grau de importância que acabavam invalidando e quebrando o mandamento do Senhor, por causa das suas tradições . Mt. 15: 3-9; Mc. 7: 3-9, e esse tipo de atitude torna nossa fé vazia, ou vaidade diante de Deus . Mt. 15: 8-9. e essa troca de valores entre a palavra de Deus, para usos e costumes leva a igreja não à fé verdadeira, mas leva a igreja a um fanatismo; sem precedentes, e a História da igreja relata a destruição que causa o fanatismo como por exemplo a perseguição levantada, contra a igreja primitiva, a perseguição levantada pela igreja Católica Romana contra os cristão na idade média etc.
Vamos analisar a diferença entre doutrina * e usos e costumes .
QUANTO Á ORIGEM:
A DOUTRINA * É DIVINA
O COSTUME EM SI É HUMANO
QUANTO AO ALCANCE:
A DOUTRINA É GERAL
O COSTUME EM SI É LECAL
QUANTO AO TEMPO:
A DOUTRINA É IMUTAVÉL
O COSTUME EM SI É TEMPORÁRIO
DIANTE DO EXPOSTO FICA CLARO QUE VAIDADE É USADO NA BÍBLIA NÃO TEM NADA HAVER COM USOS E COSTUMES
COSTUMES NÃO GERAM DOUTRINA, MAS DOUTRINA GERAM BONS COSTUMES.
Ao analisarmos o termo Vaidade fica claro que o propósito de Salomão em sua exposição filosófica é mostrar a futilidade da vida sem Deus.
Nos primeiros capítulos Salomão deixa isso bem claro quando fala, sobre:
Sobre a Sabedoria humana 1: 12-18.
Sobre o Prazer e o Lucro 2: 1-11.
Sobre a Eternidade 2: 12-17.
Sobre o Trabalho e o Sucesso 2: 18-23.
Sobre a Religião e Riqueza 5: 1-17.
Sobre as Realizações Terrenas 6: 1-12.
O PREGADOR mostra através desses tópicos, que tudo isso sem a participação de Deus se torna vazio, ou sem sentido de ser, pois o homem só acha razão em sua existência a partir do eterno não no terreno. EC.3: 10-15 .
O PREGADOR mostra em sua exposição o perigo, que há em nós nos apegarmos em coisas passageiras para dar razão a existência, pois o PREGADOR observou que isso estava levando o homem ao afastamento de Deus, para uma religião formalista e materialista em busca de saciar a necessidade da sua alma, em uma religião destituída de Deus, que leva o homem ao mais baixo padrão de vida certa vez Sto. Agostinho disse, Deus criou o homem com um buraco tão grande dentro de si, que esse buraco só seria preenchido por ele mesmo.
É exatamente esse vazio que há dentro do homem, que faz com que ele saia em busca do seu criador, e o PREGADOR percebe esse anseio da alma humana quando diz que Deus colocou a eternidade dentro do coração do homem Ec.3:11, ou seja, todo ser humano tem sede por Deus que é eterno Is. 26:4; Dt. 33:27.
O Pregador observa que o seus contemporâneos, estavam buscando Deus em uma religião formalista e materialista Ec. 5:1-17.
O Pregador denúncia essa religião formalista quando diz: Inclamante mais a ouvir do que a oferecer sacrifícios de tolos, pois não sabem que procedem mal.
Esta religião formalista é caracterizada, por uma insuficiência pois não leva o homem a Deus, mas ao desespero de espirito Ec. 6:1-12, pois é uma religião externa que da ênfase aos ritos e cerimônias que é característico desse tipo de religião Ec. 5:1-7, que na realidade leva o homem a uma separação total, do seu criador, pois, na realidade a adoração é simplesmente destituída de espiritualidade Is. 29:13; 58; EZ. 33:32.
È o tipo de religião que leva o homem ao egoísmo, para com seu próximo.
O Pregador denúncia essa religião destituída de Deus, e leva o homem a trilhar por um caminho que leva o homem a verdadeira religião, para que possa saciar a sua alma. Ec. 12.
O propósito maior de Eclesiaste é mostrar, que a vida do homem tem que estar fundamentada em Deus, e não no materialismo que afasta o homem de seu Criador. O PREGADOR da conselhos práticos para que o homem, viva uma vida satisfatória diante de Deus:
1-) A bondade tem sua recompensa EC. 11: 1-2
2-) Reconhecer a limitação da nossa sabedoria diante de Deus Ec. 11:3-5
3-) Vivermos de maneira diligente e aplicada Ec. 11: 6-8
4-) Considerar nossas atitudes, pois delas daremos conta Ec. 11: 9-10
5-) Agradecer a Deus em todo momento da nossa vida Ec. 12: 1-8
O PREGADOR através desses conselhos, faz com que os seus contemporâneos reconheçam a Deus como a razão da existência, e leva-os a utilizar sua sabedoria sobre o ponto correto da existência humana, partindo do Deus eterno forte de toda a sabedoria humana Ec. 8: 16-17, e tira-os da visão materialista da razão da existência humana, e leva-os a um conhecimento de Deus prático para viver uma vida de paz diante de Deus.
John Jenell citou a seguinte sentença:
Antes que possamos usufruir a paz de Deus, necessitamos, primeiro de conhecer o Deus da paz.
Nós usufruímos desta benção a medida que conhecemos, a fonte dessa paz que é o próprio Deus Rm.1:7; 2Co. 13:11; Fp. 4:7, pois este conhecimento de Deus é necessário para adoração cristã, Pv. 2: 4-5; Jr. 9:24; Jó 8: 31-32; jò 7: 16-17; Jó 17:3, e é exatamente este conhecimento de Deus, que nos leva a vivermos uma vida útil diante de Deus.
Quanto maior o nosso conhecimento de Deus, melhor será a nossa adoração a Deus *.
É essa a mensagem que o Pregador passa em sua mensagem, um conhecimento prático de Deus, para uma adoração prática da parte do povo, pois, a medida em que a adoração a Deus é algo prático maior prazer é o sentido dessa adoração.
Santo Agostinho expressa essa idéia quando diz:
Deus sente prazer em nós quando sentimos prazer nele.
Diante do exposto fica claro a mensagem de Eclesiaste, que é a inutilidade da Vida humana sem Deus, João Calvino disse:
Se não houvesse Deus, a consciência seria inútil .
E quando a humanidade apaga Deus de sua consciência tudo que fazemos como diz o Pregador, torna-se vaidade.
“O conhecimento do homem só é verdadeiro
quando o homem se conhece em Deus”
João Calvino.
V-) A VIDA EFEMÊRA DO HOMEM
A mensagem do livro de Eclesiastes, fica mais clara ainda, quando o PREGADOR focaliza a fragilidade da vida humana debaixo do sol, esta expressão é usado cerca de 25 vezes, e denota o ponto de vista do homem natural de visualizar os acontecimentos sobre a terra, e é sobre o ponto de vista humano que o PREGADOR vê a brevidade da vida humana sobre a terra, quando ele narra a anatomia do corpo humano dentro de uma linguagem não cientifica, mas em uma linguagem poética, nos parece que o PREGADOR usa essa linguagem para suavizar a degradação do corpo humano, vejamos como ele narra essa degradação dentro de uma linguagem poética:
“...no dia em que tremerem os guardas da casa, e se curvarem os homens fortes, e cessarem os moedores, por já serem poucos, e se escurecer os que olham pelas janelas, e as portas da rua se fecharem, e for baixo o ruído da moedura...
...lembra te dele antes que se rompa a cadeia de prata, e se despedace o copo de ouro, e se quebre o cântaro junto à fonte, e se desfaça a roda junto ao poço...”
O verso dois que antecede a esses versículos, trata da transitoriedade da vida, o Pregador mostra nestes versos poéticos o fim da vida humana, ou seja, a morte física que cessa nossas atividades no plano terreno Ec. 12:2.
Este versículo é introdutório, antes dele tratar do envelhecimento humano, o PREGADOR, deixa claro que a morte sobrevêm não apenas na velhice, mas em qualquer tempo da nossa vida, pois o escurecer do sol, da luz, da lua e das estrelas, ou seja, quando o homem não ver mais a luz dos corpos celestes por conta da sua morte, e isso pode acontecer no vigor da nossa vida, temos que lembrar do nosso criador no dia da nossa mocidade, para que quando passar as nuvens depois da chuva, possamos contemplar o Rei da Glória.
O PREGADOR narra a degradação física da seguinte maneira:
“...tremem os guardas da casa...”, que são as mãos, pois quando o homem chega na velhice não tem mais firmeza nas mãos, para sustentar objetos, pois perdem a força e tremem impossibilitando assim de segurar objetos como no vigor da sua idade.
“...se curvarem os homens fortes...”, são as pernas tão essencial para nossa movimentação no dia a dia, pois são elas que nos dão condições de trabalharmos, passear, mas quando chegam os dias de nossa velhice elas perdem força e não nos sustentam e nem nos locomovemos por já estarem gastos e fracos os nossos ossos.
..cessarem os moedores...”, são os dentes porque a medida que a idade vai avançando a tendência é um enfraquecimento dos dentes, que por conseguinte venham a perde-los mesmos, criando uma dificuldade para nos alimentarmos por serem poucos.
..escurecer os que olham pelas janelas...”, são os nossos olhos que no dia da mocidade são bons, pois não precisamos nem de óculos para enxergar bem, mas com o passar do tempo temos que usar até mesmo óculos pata termos uma boa visão, e com o tempo nem mesmo o uso de óculos resolve o problema da perda da visão, pois o mesmo já perdeu o vigor da mocidade.
“...portas da rua se fecharem...,”...ruído da mordedura...”, são os ouvidos, pois são de muita importância , pois através deles gravamos em nossa mente as informações que são passadas, para que tenhamos o nosso desenvolvimento intelectual em nossas vidas, com a perda da audição ficamos tanto limitados, pois não conseguimos obter informações para que tenhamos um bom desenvolvimento intelectual, com a chegada da velhice vamos perdendo pouco a pouco a nossa audição até chegarmos a surdez.
“...rompa a cadeia de prata...”, isto é, a nossa coluna vertebral que mantém nosso corpo ereto, e que é a viga mestra para sustentar todas as nossas atividades físicas em perfeita ordem, com a velhice esse vigor vai-se embora e ficamos com dificuldade para nos mantermos eretos e temos uma vida normal.
”...se despedace o copo de ouro...”, isto fala do nosso intelecto, da nossa mente, o que nos da capacidade de termos o poder do raciocínio lógico e sistemático, faculdade esta que nos da o poder de discernimento, no vigor da idade temos muita facilidade para coordenarmos o nosso raciocínio, e passamos nossas idéias de maneira lógica e racional, mas na velhice perdemos tudo isso, é como que se tornássemos crianças de novo, perdemos o poder de raciocínio lógico.
”...cântaro junto a fonte...”, isto fala sobre o nosso sistema respiratório , que em nossa mocidade tem toda força, mas quando chega a velhice temos uma certa dificuldade para respirar.
“...roda junto ao poço...”, isto fala dos órgãos vitais à vida humana, que na juventude trabalha em pleno vigor, mas na velhice trabalha com extrema dificuldade pelo desgaste ocorrido ao longo dos anos.
Com esta linguagem o PREGADOR trata dos maus dias que sobrevirão sobre todos. Colocando em ênfase que o homem deve lembrar-se do criador nos dias do seu vigor físico. Pois é exatamente neste período da vida que temos condição de servimos a Deus, com mais dedicação e força, e aproveitarmos a cada oportunidade que Deus nos dá para servi-lo nesta presente vida. Mas apesar desta realidade da degradação física, nós somos ensinados pela palavra de Deus que o nosso corpo é templo do espirito santo 1Co. 6:18, como templo do espirito santo nós devemos cuidar do nosso corpo, pois através dele nós glorificamos a Deus 1Co. 6:13. Nos devemos cuidar da nossa alimentação do nosso descanso, para que tenhamos uma velhice sadia apesar do desgaste que ocorre no nosso corpo. Devemos zelar do nosso corpo, pois Deus preparou, para que nós pudéssemos gozar da vida de maneira que posamos satisfazer nossas necessidades, dentro da vontade de Deus, que criou o homem para ser feliz e gozar essa felicidade.
VI-) MENSAGEM CRISTOLÓGICA NO LIVRO DE ECLESIASTES
Como todo livro da bíblia há uma mensagem Cristológica, Eclesiastes também traz a sua mensagem sobre o Cristo.
Como foi observado nesta síntese sobre o livro de Eclesiastes, que Salomão se propôs a analisar os fatos mais intrigantes, que afligia à alma do seu povo, para dar uma resposta lógica a cada indagação. Como por exemplo, quando ele trata da questão da morte, e mostra que isso sucede a homens e animais EC. 3: 19-20, mas ao mesmo tempo ele mostra que o destino do homem além túmulo tem um destino diferente, quando diz que o homem vai para sua casa eterna, Ec.12:5, Salomão mostra para seus contemporâneos que a existência do homem não se finda com a morte física, mas que é apenas um começo para uma vida com seu Criador Ec. 12:7, por interferência nós vemos o próprio Cristo pregando essa realidade, que s vida do homem não cessa com a morte física, mas que continua na vida eterna. Lc.18: 28-30; Jo 14: 1-3; Jo 6:27 , Salomão também trata da questão da justiça de que há de vir sobre os homens, justiça essa que opera nos justos e injustos Ec. 8: 11-17; 3:17. O próprio Cristo é a justiça encarnada pois ele mesmo julga justos e ímpios nas suas atitudes Jó 5:22.
Salomão também mostra Cristo em sua exposição quando fala de palavras da verdades, e Cristo é a suprema verdade para a alma angustiada Ec. 12:10-11; Jó.14:6, mas também mostra a Cristo quando fala do único pastor das suas ovelhas Ec.12:11; Jó. 10:11. Salomão foi o homem mais sábio, de que todos os homens da sua época e de todos os tempos, Irs.4: 29-31, mas Cristo é a própria sabedoria encarnada Lc. 11:31.
Salomão fez sua exposição filosófica da vida, do ponto de vistas de quem participou de cada situação, e tinha uma experiência prática para falar dessas aflições, sofridas pelos seus conterrâneos e a partir dessas experiências ele começa sua exposição, para poder levar seus ouvintes a sair daquela situação angustiante, para viver uma vida abundante diante de Deus.
Cristo também participou das aflições humanas, para que pudesse ajudar aos seus, não como alguém que aprende por meio de livros e palestras, mas o Cristo vivificou cada aflição para nos ajudar nas mesmas. Hb. 2:10-18, mas em nada achou-se pecado em Cristo, Hb. 4:15-16. Vemos a mensagem cristólica em Eclesiastes, quando olhamos o livro como uma procura para saciar a alma humana, a respeito da sua existência, pois Salomão responde essas indagações . Em Cristo nós encontramos as respostas a todas as nossas perguntas que mais aflige a nossa alma, em Cristo nós encontramos um rio de resposta infindável para todo tipo de pergunta da nossa vida.
Cristo é a própria filosofia encarnada que soluciona a qualquer questão indagada Mt. 19: 16-30 , Cristo é resposta a maior indagação humana, que é a respeito da vida após a morte, pois ele é a própria vida eterna Jó.2:25; Jo. 17:3; Jó 3:15,36
VII-) CONCLUSÃO
a conclusão desta pesquisa sobre o livro de Eclesiastes, vale ressaltar que não trabalhamos com todos o temas que o livro oferece, pois tornaria essa pesquisa mais extensa e isso demandaria um tempo maior para estudarmos todos os pontos encontrados nesta obra rica em ensinamentos, também não me propus a estudar as questões teológicas da mesma, pois o nosso objetivo nesta pesquisa foi analisar o livro para poder determinar a data, autoria e a mensagem passada pelo livro.
Esta pesquisa se propôs em trabalhar em duas linhas gerais, que é a questão da futilidade de procurar dar significado a vida sem Deus, e mostrar que a religião sem o Deus verdadeiro é destituída de força espiritual e sem significado.
Salomão em sua pesquisa filosófica chegou a seguinte conclusão:
De tudo o que se tem ouvido a conclusão é: TEME A DEUS,E GUARDA OS SUS MANDAMENTOS, POIS ISTO É TODO O DEVER DO HOMEM.
Com estas palavras Salomão encerra sua exposição filosófica a respeito da existência humana.
Analisemos as ultimas palavras de Salomão para capitarmos o significado que tem essas ultimas palavras .
Em suas palavras iniciais ele fala de dar ouvido a conclusão.
Quando a Bíblia usa o termo ouvir, ela usa no sentido de prestar a atenção ao que se fala Dt.6:5; Mc. 7:14; Tg. 2:5, pois todos que tem seus órgãos auditivos normais ouvem, mas nem todos ouvem com atenção, a parábola do semeador mostra essa realidade que não basta apenas ouvir, mas é necessário ouvir com atenção, pois no final da narrativa vemos que só uma semente produziu tanto, pois, ouviu a mensagem com atenção Mt.13: 1-23
Salomão inicia sua conclusão nos mostrando que é necessário que se tenha atenção, a sua mensagem para que nós possamos entender e coloca-la em prática nas nossas vidas, para que possamos viver uma vida sadia diante de Deus, após Salomão chamar a nossa atenção para sua mensagem conclusiva, ele nos mostra o fato que devemos temer a Deus, ela não esta dizendo, que temos que ter medo de deus, pois é essa idéia de temer a Deus.
Temor ou reverência, Significa respeito, honra que se presta a Deus como o ser Supremo por excelência, na celebre passagem de Ex. 3:5, nós vemos Deus dizendo a Moisés para tirar a sandálias do seus pés, pois ele estava em terra santa, e quando nós estamos diante de Deus temos que respeita-lo, pois ele é o doador da vida e respostas a nossas indagações, e Deus pede de nós que respeitemos em nossas vidas, pois como disse o Pregador é o princípio da sabedoria, pois o homem que respeita a Deus, ele tem plena condição de estar, diante da fonte da sabedoria que é o próprio Deus.
Diante de Deus nós temos que nos calarmos e contemplarmos a sua infinita sabedoria Hc. 2:20, pois só assim poderemos receber este saber celestial para reger nossa vida com paciência diante de Deus Pv. 4:5; 14:33,19:8.
Quem teme ao senhor ou respeita ao senhor, colhe do fruto desse respeito a Deus varias coisas como:
- será bem sucedido Ism. 12:14
- Faremos as escolhas certas para nossa vida Sl. 31:19
- Contará sempre com a presença de Deus em sus vida Is. 50:10.
Esses são os frutos do temor a Deus e Salomão passa essa mensagem para que nós possamos viver dignamente diante de Deus, e continua sua conclusão dizendo que devemos guardar os mandamentos do Senhor.
O propósito de guardarmos a sua palavra é que ela nos assegura que, tudo nela contida será cumprida em nossa vida sem ficar uma só promessa sem cumprir para aqueles que amam ao Senhor Is.40:8; Mt.5:18.
O ato de guardarmos a palavra de Deus em nosso coração, tem por finalidade alimentar a nossa alma Dt. 8:3; Jó 23:12; Pe. 2:2, proporcionando para nossa vida uma poderosa arma para combatermos o pecado, Sl. 119:11, que tão de perto nos rodeia, mas além de nos dar esta ferramenta contra o pecado, nos dá um coração sábio para dirigirmos a nossa vida Pv. 6:23
O ato de guardarmos a palavra em nosso coração , traz iluminação espiritual para nossa vida Sl. 19:8; Sl.119:130. Onde andamos em plenas trevas neste mundo perdido em seus pecados.
Quando fazemos isso encontramos respostas as indagações mais profundas e complexas, que possamos fazer a respeito da existência humana.
GLOSSÁRIO:
- Cosmo Visão – Ponto de vista a cerca do mundo.
Efêmero – De curta duração; transitório; passageiro.
Paradoxo – Proposição contrária à opinião comum.
Teólogo – O que procura Entender, espiritualmente e racionalmente, as bases das verdades contidas nas sagradas escrituras, e entendendo-as, tem como tarefa sistematizai-las para uma perfeita compreensão por parte dos fiéis.
Projetos Arquitetônicos – Referência que mostram as alianças políticas de Salomão.
Soteriológico – Doutrina da Salvação, Ciência que estuda a Salvação, de maneira sistemática.
Doutrina – Significa ensinar, instruir, educar, neste contexto doutrina significa. Ensinamento das Sagradas Escrituras.
Fonte desconhecida dessa sentença – Pelo presente autor.
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